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Mostrando postagens de 2025

Angústia como Chamado à autenticidade

Você já se sentiu como se estivesse apenas seguindo o fluxo… sem estar realmente presente em sua própria vida? Heidegger chamaria isso de viver na inautenticidade — um estado em que deixamos o mundo nos dizer quem somos, o que queremos, e até o que devemos sentir. Mas há algo que pode romper esse automatismo: a angústia. E não aquela angústia comum, mas um vazio existencial que escancara o fato de que estamos jogados no mundo… e que a vida, um dia, vai acabar. O “Ser-Aí” e o esquecimento do ser Heidegger parte da pergunta mais básica — e mais esquecida — da filosofia: o que significa ser? Segundo ele, o ser humano é um “ser-aí” (Dasein), um ente que existe de forma consciente e se pergunta sobre sua própria existência. O problema é que vivemos distraídos, absorvidos pelo cotidiano, pela “tagarelice”, pela rotina. Vivemos no que ele chama de inautenticidade: um modo de ser em que nos perdemos no “se” impessoal — “se faz assim”, “se vive assim”. A angústia como ruptura É aí q...

Estética, Ética e Fé: Três estágios da existência segundo Kierkegaard

Você está vivendo ou apenas passando pelos dias? Talvez você nunca tenha se feito essa pergunta — ou talvez ela tenha te atravessado em algum momento de silêncio profundo, quando nada parecia fazer sentido. Kierkegaard, o pai do existencialismo cristão, nos oferece uma espécie de mapa para essa jornada interior: os três estágios da vida — o estético, o ético e o religioso. Mas atenção: esse não é um manual de autoajuda. É um convite perigoso à verdade sobre si mesmo. O Estágio Estético: a busca pelo prazer e a fuga do tédio No primeiro estágio, a vida é uma obra de arte. O indivíduo busca experiências intensas, beleza, prazer e evita, a todo custo, o tédio. Aqui, o maior inimigo é o vazio — e o maior medo é o comprometimento. Kierkegaard não condena esse estágio como um erro, mas como uma etapa inevitável. O problema é que, mais cedo ou mais tarde, a estética cansa. A vida se mostra repetitiva, sem propósito duradouro, e surge um mal-estar difícil de ignorar: a angú...

A arte de ser inteiro - Hans Rookmaaker

A arte é uma das formas mais profundas de dizer o que não cabe em palavras. Ela nasce da alma humana — da nossa alegria, angústia, esperança e desespero. Quando alguém pinta, compõe, dança ou escreve, está tentando dar forma ao que sente por dentro. É por isso que toda cultura tem arte: porque ser humano é precisar expressar o invisível. Hans Rookmaaker, historiador da arte e pensador cristão, viu nisso algo sagrado. Para ele, a arte não era um luxo ou uma distração, mas parte da nossa vocação original como criaturas feitas à imagem de um Deus criador. Ele dizia que a arte verdadeira é aquela que nasce do coração humano diante da realidade — seja ela cheia de luz ou marcada por sombras. Rookmaaker também acreditava que o cristianismo, quando mal compreendido, podia mutilar essa expressão. Ele criticava a religiosidade que reduz a fé a regras e doutrinas, ignorando a imaginação, o corpo, a cultura. Para ele, quando a igreja abandona a beleza, ela também começa a abandonar a ...

Coragem de Ser: Como Enfrentar o Vazio e Ainda Dizer Sim à Vida

Você já sentiu que está lutando para existir, como se estivesse à beira do vazio? A Coragem de Ser, nos convida a olhar de frente para a angústia mais profunda da alma humana: o medo de não ser. Mas, em vez de fugir, ele propõe algo surpreendente — ousar existir, mesmo diante do nada. Neste livro, Tillich mistura filosofia, psicologia e teologia para responder uma pergunta essencial: como podemos ter coragem para viver, mesmo quando tudo parece sem sentido? O que é coragem? Para Tillich, coragem não é a ausência do medo, mas a decisão de afirmar a vida apesar do medo. Ele diz que todos nós enfrentamos algum tipo de ansiedade existencial — seja o medo da morte, da culpa, ou da falta de sentido. Essas angústias nos mostram o quanto somos vulneráveis, mas também nos empurram para encontrar um fundamento mais profundo para a nossa existência. Ser como parte vs. Ser como si mesmo O livro mostra dois caminhos principais de coragem: A coragem de ser como parte, quando ...

Espiritualidade como Processo Existencial: entre o salto de fé e a coragem de ser

Enquanto o mundo corre atrás de fórmulas rápidas e respostas prontas, a espiritualidade verdadeira nos convida a algo bem mais profundo — um caminho sem mapas, onde o destino é o próprio processo de se tornar. Ela não se resolve em rituais ou certezas, mas acontece no silêncio, na dúvida, na coragem de seguir mesmo sem saber exatamente para onde. Talvez por isso ela seja tão transformadora. A espiritualidade, quando entendida como experiência existencial, não se limita a dogmas ou sistemas. Ela é o que Paul Tillich chamaria de uma "preocupação última" — aquilo que nos move no mais profundo, que dá contorno à nossa existência, que nos faz perguntar: quem sou eu? por que existo? há sentido em tudo isso? Para Søren Kierkegaard, o ser humano está constantemente diante de uma tensão entre o finito e o infinito. Ele não nasce pronto. Ele se torna. E esse tornar-se exige um salto de fé — não no sentido de crer em doutrinas fixas, mas de ousar existir com autentic...

Existencialismo Cristão: um caminho autêntico ao fundamento do ser.

E se a fé não fosse um pacote fechado de doutrinas, mas um salto ousado diante do absurdo? O existencialismo cristão nasce desse choque entre a finitude humana e a busca pelo eterno.  Em Søren Kierkegaard, encontramos o chamado para sair da superficialidade e encarar a vida com seriedade radical. Fé não é acreditar em proposições, mas um ato de coragem: a coragem de ser, apesar da angústia. No coração dessa visão está o reconhecimento de que ser humano é estar em processo. Não somos dados prontos, mas nos tornamos à medida que nos posicionamos diante da existência. O desespero, em Kierkegaard, não é apenas sofrimento psicológico, mas o sintoma de uma vida alienada de sua própria verdade. O remédio? O salto da fé. Mas não um salto cego—e sim uma entrega consciente ao mistério que nos fundamenta. Tillich amplia essa perspectiva, mostrando que a fé verdadeira não nasce do medo ou da necessidade de certezas, mas da aceitação da própria finitude. A angústia de saber que somo...

Liberdade ou Segurança? o dilema invisível das relações modernas

Queremos liberdade, mas também ansiamos por segurança. No entanto, será que podemos ter as duas ao mesmo tempo? Zygmunt Bauman, em Comunidade: A Busca por Segurança no Mundo Atual, nos lembra de um dilema inevitável: quanto mais liberdade temos, menos segurança sentimos; quanto mais segurança buscamos, mais abrimos mão da liberdade. Mas e se estivermos presos a uma ilusão? Vivemos em um mundo onde a segurança se tornou um produto de consumo e a liberdade, um fardo que poucos sabem como carregar. A promessa das comunidades modernas é nos dar pertencimento, proteção, identidade. Mas, no fundo, essas comunidades nos limitam, nos moldam e nos exigem conformidade. Ser livre significa, muitas vezes, sentir-se sozinho. Ao mesmo tempo, não podemos ignorar que o pertencimento é uma necessidade humana fundamental. Queremos fazer parte de algo maior do que nós mesmos, sentir que nossa existência tem sentido dentro de um grupo, ser reconhecidos e acolhidos. No entanto, Bauman, em Ident...

Fé não é o que você pensa- e isso pode mudar sua vida

Se você acha que fé é simplesmente acreditar em algo sem provas, talvez seja hora de repensar. Paul Tillich, um dos grandes pensadores do século XX, nos convida a enxergar a fé de um jeito radicalmente diferente: não como uma adesão cega a dogmas, mas como a força que nos impulsiona em direção ao que realmente importa. Em A Dinâmica da Fé, Tillich mostra que todos nós—cristãos, ateus, religiosos ou céticos—temos fé em algo. Fé não é sinônimo de religião; é aquilo que ocupa o centro da nossa existência, aquilo que define nossas decisões e dá sentido à nossa vida. Para alguns, pode ser Deus. Para outros, pode ser o sucesso, o amor, a ciência ou a busca pela verdade. Mas e se estivermos colocando nossa fé na coisa errada? A fé pode se tornar distorcida quando é colocada em algo que não pode sustentar o peso da nossa existência. Isso acontece quando transformamos doutrinas em ídolos, reduzindo a experiência do sagrado a meras fórmulas prontas. A verdadeira fé,  não é rígida...

O universo ao lado- As grandes cosmovisões que moldam nossa vida

Já parou para pensar no que realmente molda sua visão de mundo? Em O Universo ao Lado, James Sire explora as principais cosmovisões que influenciam a maneira como interpretamos a realidade—do teísmo cristão ao pós-modernismo. Cada uma delas responde de maneira diferente às grandes perguntas da existência: Quem somos? Por que estamos aqui? Qual é o sentido da vida? Entender essas perspectivas nos ajuda não apenas a compreender melhor o mundo, mas também a refletir sobre nossas próprias crenças e escolhas. As principais cosmovisões apresentadas no livro 1. Teísmo cristão – Deus é um ser pessoal, criador do universo, que se relaciona com a humanidade. A realidade é ordenada, tem um propósito e um fim direcionado por Deus. A moralidade, o conhecimento e o sentido da vida derivam d’Ele, e a história caminha para um desfecho planejado. 2. Deísmo – Deus criou o mundo, mas não intervém ativamente nele. O universo funciona como uma grande máquina autônoma, e o conhecimento deve ser ...

O Chamado para Existir: Entre a Angústia, a Fé e a Autenticidade

Você já teve a sensação de que ainda não é completamente você? Que algo dentro de você ainda está por se revelar, como se sua existência fosse um enigma inacabado? Se sim, bem-vindo ao mistério de ser humano. Desde os tempos antigos, filósofos e teólogos se perguntam o que significa existir — não apenas estar vivo, mas realmente ser. Heidegger, Kierkegaard e Tillich, cada um à sua maneira, nos mostram que a vida não é um estado fixo, mas um caminho de transformação. O Ser Como Possibilidade – Heidegger Martin Heidegger, em Ser e Tempo, argumenta que o ser humano não tem uma essência pré-determinada. Nós somos um projeto em aberto, lançados no mundo e desafiados a dar sentido à nossa existência. Mas há um risco: viver de forma inautêntica, apenas seguindo as expectativas da sociedade. Para Heidegger, só nos tornamos realmente nós mesmos quando enfrentamos a realidade da nossa finitude. A consciência da morte não deve nos paralisar, mas sim nos despert...

Tornar-se humano - Uma jornada em construção

  O ser humano não nasce pronto—ele se torna humano à medida que desenvolve consciência, amor e liberdade. Muitas leituras da tradição cristã enfatizam a fragilidade humana após a queda, mas as Escrituras e o pensamento filosófico também nos convidam a enxergar a vida como um processo contínuo de transformação.  E se a humanidade fosse menos sobre um estado fixo e mais sobre um caminho em construção?  ● A Criação como Chamado ao Vir-a-Ser  A narrativa da criação em Gênesis 2:7 oferece uma pista fundamental para essa abordagem.  O texto afirma que Deus "formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego da vida, e o homem se tornou alma vivente." O verbo "tornar-se" já aponta para uma condição dinâmica, não estática.  O ser humano não é criado acabado, mas como um projeto em aberto.  Paul Tillich, em sua teologia existencialista, propõe que o ser humano vive na tensão entre a finitude e a liberdade, chamado a se realizar na busca pelo senti...