A arte é uma das formas mais profundas de dizer o que não cabe em palavras.
Ela nasce da alma humana — da nossa alegria, angústia, esperança e desespero.
Quando alguém pinta, compõe, dança ou escreve, está tentando dar forma ao que sente por dentro. É por isso que toda cultura tem arte: porque ser humano é precisar expressar o invisível.
Hans Rookmaaker, historiador da arte e pensador cristão, viu nisso algo sagrado. Para ele, a arte não era um luxo ou uma distração, mas parte da nossa vocação original como criaturas feitas à imagem de um Deus criador. Ele dizia que a arte verdadeira é aquela que nasce do coração humano diante da realidade — seja ela cheia de luz ou marcada por sombras.
Rookmaaker também acreditava que o cristianismo, quando mal compreendido, podia mutilar essa expressão. Ele criticava a religiosidade que reduz a fé a regras e doutrinas, ignorando a imaginação, o corpo, a cultura. Para ele, quando a igreja abandona a beleza, ela também começa a abandonar a humanidade. Uma fé que rejeita a arte é uma fé que esqueceu que Deus também se comunica por meio do belo, do simbólico, do sensível.
Sua visão era radicalmente integradora: Cristo não redime apenas a alma, mas a pessoa inteira — corpo, mente, emoções, trabalho, criatividade. Isso significa que o Evangelho deve transformar também a maneira como vemos e fazemos arte. Não como propaganda religiosa, mas como espaço de verdade, liberdade e profundidade humana.
Sua frase mais conhecida — e talvez a mais urgente para os nossos tempos — ainda ecoa com força:
“Jesus não veio salvar almas. Ele veio salvar pessoas inteiras.”
Ou seja: o chamado do Evangelho é para sermos inteiros diante de Deus — e a arte é um dos caminhos mais humanos (e divinos) para isso.
E você? Tem deixado espaço para a beleza, a arte e a imaginação em sua espiritualidade — ou tem vivido uma fé mutilada, reduzida a regras e rituais?
Talvez seja hora de redescobrir o Deus que se revela também no belo, no criativo e no imperfeito — o Deus que nos convida a sermos inteiros.
Débora Aquino
Concordo. Lembrei do trabalho da psiquiatra Nise da Silveira, você conhece?
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