E se a fé não fosse um pacote fechado de doutrinas, mas um salto ousado diante do absurdo? O existencialismo cristão nasce desse choque entre a finitude humana e a busca pelo eterno.
Em Søren Kierkegaard, encontramos o chamado para sair da superficialidade e encarar a vida com seriedade radical. Fé não é acreditar em proposições, mas um ato de coragem: a coragem de ser, apesar da angústia.
No coração dessa visão está o reconhecimento de que ser humano é estar em processo. Não somos dados prontos, mas nos tornamos à medida que nos posicionamos diante da existência. O desespero, em Kierkegaard, não é apenas sofrimento psicológico, mas o sintoma de uma vida alienada de sua própria verdade. O remédio? O salto da fé. Mas não um salto cego—e sim uma entrega consciente ao mistério que nos fundamenta.
Tillich amplia essa perspectiva, mostrando que a fé verdadeira não nasce do medo ou da necessidade de certezas, mas da aceitação da própria finitude. A angústia de saber que somos pó nos empurra a buscar um fundamento último, algo que nos dê significado mesmo diante da transitoriedade da vida. Esse fundamento não pode ser reduzido a uma doutrina ou um conjunto de regras: é o próprio Deus como o Ser que sustenta o ser.
Ser um existencialista cristão é abraçar a liberdade e a responsabilidade. É compreender que a fé não nos livra da angústia, mas nos dá recursos para atravessá-la. É saber que o verdadeiro cristianismo não é conformismo, mas um chamado a ser plenamente humano—e, nesse tornar-se, encontrar o divino.
Que coragem nos falta para sermos quem realmente somos? E qual salto de fé precisamos dar hoje?
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