Você já teve a sensação de que ainda não é completamente você? Que algo dentro de você ainda está por se revelar, como se sua existência fosse um enigma inacabado? Se sim, bem-vindo ao mistério de ser humano.
Desde os tempos antigos, filósofos e teólogos se perguntam o que significa existir — não apenas estar vivo, mas realmente ser. Heidegger, Kierkegaard e Tillich, cada um à sua maneira, nos mostram que a vida não é um estado fixo, mas um caminho de transformação.
O Ser Como Possibilidade – Heidegger
Martin Heidegger, em Ser e Tempo, argumenta que o ser humano não tem uma essência pré-determinada. Nós somos um projeto em aberto, lançados no mundo e desafiados a dar sentido à nossa existência. Mas há um risco: viver de forma inautêntica, apenas seguindo as expectativas da sociedade.
Para Heidegger, só nos tornamos realmente nós mesmos quando enfrentamos a realidade da nossa finitude. A consciência da morte não deve nos paralisar, mas sim nos despertar para a urgência de viver de forma verdadeira.
O Amor Como Caminho – Kierkegaard
Se Heidegger nos ensina que somos possibilidade, Kierkegaard nos lembra que o caminho para nos tornarmos humanos passa pelo amor. Em As Obras do Amor, ele nos desafia a sair da superficialidade e abraçar o amor como um compromisso profundo.
Mas esse amor não é sentimentalismo. Ele exige renúncia, entrega e, muitas vezes, coragem para amar mesmo quando não há garantias. E aqui entra um dilema: amar é arriscado, porque expõe nossa vulnerabilidade. Esse medo de se perder no amor se conecta com outro conceito central de Kierkegaard: a angústia.
Em O Conceito de Angústia, ele descreve a angústia como o sentimento que surge quando percebemos nossa liberdade e a responsabilidade de sermos quem podemos ser. A angústia nos paralisa ou nos impulsiona. O que define nosso destino é o que fazemos com ela.
A Coragem de Ser – Paul Tillich
Mas como podemos vencer o medo e dar o passo para nos tornarmos quem somos? Paul Tillich, em A Coragem de Ser, nos mostra que a resposta está na coragem de afirmar nossa existência mesmo diante do medo e da incerteza.
Tillich nos ensina que não precisamos ter todas as respostas para viver com sentido. A fé, em sua essência, não é acreditar em dogmas, mas ter a coragem de confiar no mistério do ser, mesmo sem total compreensão. Em A Dinâmica da Fé, ele mostra que a fé verdadeira não é certeza absoluta, mas um compromisso existencial — uma entrega confiante ao que nos transcende.
Tornar-se Humano: Amor + Coragem + Consciência
O que esses três pensadores nos ensinam? Que não nascemos prontos. Estamos sempre em processo de nos tornarmos humanos.
Heidegger nos mostra que somos possibilidade e devemos viver com autenticidade.
Kierkegaard nos ensina que o amor é o caminho, mas exige coragem para enfrentar a angústia.
Tillich nos lembra que a fé não é certeza, mas um salto de confiança na existência.
Se queremos nos tornar quem realmente somos, precisamos unir consciência, amor e coragem. E essa jornada começa agora.
E Você?
O que te impede de viver de forma autêntica?
Como o amor tem moldado quem você é?
Você tem tido coragem para ser quem realmente pode ser?
O chamado para existir é feito de angústia, fé e autenticidade. Ele não traz certezas prontas, mas um convite: você tem coragem de responder?
Débora Aquino
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